terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Uma escola



A vida é boa para alguns e má para outros. Isso não é verdade. A vida é a escola de todos. Há coisas boas e más o tempo todo. Depende do que você faz com elas. Isso é a vida de verdade. A somatória de dias e dias vividos ou não. Assim ela é. Não tenho grandes sabedorias para me orgulhar delas,  mas vejo que vivi e  aprendi ao longo do caminho. Tenho em Deus o centro da minha vida. Foi o meu sol nos tempos de escuridão. Tenho pena das pessoas que dizem não crer em Deus. Esses sim, são seres solitários e estão à mercê da vida. Eu diria, perdidos.  Vou falar de uma menina que ainda existe perdida em seus sonhos. Eu a conheci quando fez seis anos e não lembro dela antes disso. Talvez a sua vida tenha sido tão simples que nada havia de grandioso para marcar as lembranças. Ela era uma menina tímida, de uma família simples que morava no interior. Quando digo interior há dois lados: o interior de uma cidade ou o interior de uma pessoa, seu lugar mais reservado. No caso da menina sempre foram esses dois universos. O interior pacato daquela cidadezinha e o mundo seu. O lugar era um imenso gramado verde com o riozinho que passava ao fundo e a mata que alcançava o céu. Um lugar para se viver bem. Não havia nada além do vasto campo e do barulho dos bichos. Ela lembra cada instante e cada paisagem vai se desenhando na sua memória enquanto lembra o lugar. Aves como o quero quero que gritava pelo gramado, o chão pisado da grama verdade que formava a estradinha, a buzina do ônibus amarelo que vinha todo dia da cidade e as pedras mergulhadas no riozinho onde cresciam as hortelãs. Mas um lugar não é tudo. Ele depende da vida que há ali. Um lugar é só uma coisa qualquer. O que faz a diferença são as pessoas do lugar. Esta história é a vida dela. Nem tudo poderá ser verdade pois a verdade não tem apenas um lado. A verdade também é relativa quando se trata da vida, porém o que vai ser escrito é a verdade vista por ela.Naquele instante as visitas chegaram para visitar a mãe. Ela correu e se escondeu atrás da porta. Tamanha era a timidez dela. E as pessoas riam e a chamavam caipira por ser assim. Tristemente ela saía do seu canto e ficava ali a brincar consigo mesma. A irmã estava sempre junto e a caçula andava de colo em colo enquanto as pessoas olhavam para aquelas três meninas e silenciavam ao saber que a mãe as deixaria. Mas ela nem sabia nada da vida. A única coisa que havia era o seu mundo feito de todas as cores e bichos e sons. Era feliz a correr pelo gramado e naquele instante era isso o total de tudo o que sonhava e acreditava. Nada mais havia além dela no seu lugar.
26/1

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